Perdoar. O verbo não transita
Tão facilmente ao predicado.
O sujeito sim, amargo, deveria
Consigo mesmo tomar o cuidado.
E alado vou pelo céu...
De alma nua de encontro ao prado
Gemo galhardo,
De galhardia mendiga do meu eu.
Não me espere ao teu lado.
A dor é mais forte que a piedade,
De boa intenção e coração gelado,
Não espere que uma sílaba minha seja verdade.
Se tua dor à alguém comove,
Não espere mais tarde que o façam.
O mundo gira, a vida se move
Muitos bons dentes se estragam.
Chega de compromisso.
Não mais escrúpulos sustento
Frente a tudo isso venho me desculpar
Do fato triste que foi acreditar.
Não pense que sou confuso
Se a tua alma vencida reluta
Frente ao luto de tua máscara.
Isso sim, absurdo, absurdo!
A alvorada, amigo,
Chega de repente, quando estamos cansados
Se tu não te atiras a pedra
Atiro eu a primeira pedra à tua perda.
Se falas consigo sobre mim,
Vai ao espelho e vê
Se enxerga a alma carmim
Que guardas em ti.
Vê na tua última sepulta
O cadáver covarde que abriga.
Não me venha falar que não é motivo de briga,
Porque no defunto há tua imagem, o verme que oculta.
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